Aplicação de standards em contexto de internamento pediátrico garante segurança alimentar e rigor do protocolo terapêutico

No âmbito do Plenário de Saúde do GS1 Industry & Standards event, Sinead Moran, Special Feeds Unit Manager do Children´s Health Ireland, em Temple Street, apresentou um caso concreto de aplicação dos standards GS1 com impacto na segurança dos bebés e crianças internados, naquela unidade hospitalar.

O sistema adotado, como destacou, garante a rastreabilidade de todos os processos com base em standards GS1, internacionalmente reconhecidos. Sinead Moran referiu que o rigor é fundamental para garantir que cada criança hospitalizada recebe exatamente a porção de alimentos ou refeição – entérica ou panentérica – de que necessita. Sinead recordou que, quando iniciou funções, as equipas tinham que registar manualmente, em suporte papel, a referência do produto que vinha aposta na embalagem e nas instruções de preparação. Este processo consumia, semanalmente, o tempo de três elementos da equipa por semana e não garantia o cumprimento da legislação aplicável em termos de segurança do doente, qualidade e segurança alimentar. Os resultados da implementação de um sistema de rastreabilidade com recurso a standards GS1 traduzem-se num sistema totalmente digital, assente numa aplicação de registo por scanning de todos os movimentos de produtos, sem qualquer suporte papel e com base em codificação bidimensional. Garante total visibilidade, rastreabilidade e o integral cumprimento da legislação aplicável, libertando meio dia de prestação de cuidados a um elemento da equipa alocada.

Este sistema revelou-se particularmente relevante em contexto pandémico, quando garantia circuitos fechados nas alas de tratamento de doentes Covid, de onde era possível garantir que nenhum produto voltava a outro circuito de distribuição no hospital.

Sobre o nível de conhecimento geral do processo que garante esta rigorosa rastreabilidade e a inerente segurança, Sinead Moran partilhou a reação das famílias de crianças internadas à proibição de trazerem para o hospital refeições preparadas em casa – não codificadas -, quando da adoção do sistema de rastreabilidade implementado com recurso a standards GS1: as famílias das crianças internadas que queriam trazer refeições cozinhadas de casa, foram recetivas aos argumentos apresentados que suportavam esse impedimento e perceberam os benefícios inerentes à rastreabilidade, percebendo que o scanning é uma segurança para os seus filhos, em termos do rigor da receita adotada e do processo de administração.

De qualquer forma, sublinhou que essa aceitação não foi automática: mesmo com os profissionais de saúde teve de ser explicada a importância da rastreabilidade e o motivo pelo qual os pais não poderiam confecionar e trazer alimentação para o hospital. A comunicação de proximidade com os profissionais que cuidam dos doentes em ambiente de enfermaria, em particular, os enfermeiros, numa abordagem de sensibilização, foi fundamental ao sucesso do processo. O hospital tornou-se um exemplo em segurança alimentar e rastreabilidade.