Conflito na Europa: “Falta de medicamentos disponíveis” é cenário provável, considera a indústria

No contexto do Painel Debate que decorreu no âmbito da 8.ª edição do Seminário de Saúde da GS1 Portugal, a 12 de maio, Heitor Costa, Diretor de Inovação da APIFARMA, alertou para os impactos que o atual conflito geopolítico tem tido sobre as cadeias de abastecimento na saúde, admitindo um cenário de rutura de alguns medicamentos, não por limitações na produção, mas por uma questão de custo.

Como destacou o representante da indústria farmacêutica, apesar de não se antever disrupções nas cadeias de abastecimento do lado da produção, dado que “o impacto dos dois países [Rússia e Ucrânia] na capacidade de produção, distribuição e logística é residual”, o aumento dos custos da energia tem impactado os custos de produção de medicamentos e dispositivos médicos, o que faz da fixação de preços algo “não compaginável” com a atual situação.

Heitor Costa sublinhou também que “o aumento dos custos da energia, fruto do atual conflito, impactou os custos de produção da indústria farmacêutica em cerca de 30%.” Nesse sentido, “se a indústria tem dificuldade em fabricar os medicamentos, como não é possível vender esses medicamentos abaixo desse custo de produção, isso pode ter alguma repercussão na capacidade de abastecimento”, sobretudo de medicamentos mais antigos e cujos preços estão muito degradados. A APIFARMA alertou para o facto de “o atual regime de revisão excecional de preços não ser compaginável com a atual situação de aumentos brutais dos custos de distribuição e fabrico, sobre os quais não conseguimos fazer nada porque os preços dos medicamentos estão fixados”, explicou Heitor Costa.