Especialistas debatem Pilares da Cadeia de Abastecimento da Saúde

O Painel de Debate da 7.ª Edição do Seminário de Saúde da GS1 Portugal, promoveu uma reflexão sobre os “Pilares da Cadeia de Abastecimento: Confiança, Segurança, Transparência e Colaboração” com a participação de Rui Costa, da General Electric Healthcare; Pedro Lima, do Grupo Luz Saúde; Pedro Simas, do Instituto de Medicina Molecular e Bárbara Faria, da Multicare. Os quatro intervenientes partilharam perspetivas sobre o impacto destes pilares na transformação futura do setor da saúde, partindo das aprendizagens da crise pandémica – o tema geral do Seminário.

Pedro Simas, do Instituto de Medicina Molecular, realçou a importância da colaboração entre cientistas de todo o mundo na disponibilização de uma solução rápida e fiável para a crise pandémica. Mas chamou a atenção para o facto de os grandes desafios da humanidade serem sociais. “É aí que temos de evoluir. Na ciência produzimos de forma rápida e eficiente uma vacina. Mas depois é preciso que as pessoas a aceitem”, sublinhou. Pedro Simas alertou ainda para a assimetria na aplicação das vacinas: “temos cerca de 25% da população mundial a ser vacinada, com cerca de 70% dos europeus já com uma dose. No entanto, países em vias de desenvolvimento só têm 1% da população vacinada”, afirmou.

Partilhando o testemunho das organizações que representa, Pedro Lima, da GLSMED Trade e do Grupo Luz Saúde, destacou a importância da centralização do processo logístico e da diversificação da origem dos produtos como ações-chave que garantiram ao Grupo Luz Saúde uma melhor eficiência num período pandémico. Pedro Lima, realçou ainda que “as imposições regulamentares impostas na importação e exportação não devem ser desprezadas, mas acabam por ser barreiras à eficiência do negócio sobretudo dos países mais pequenos”.

Numa participação inédita de representante do setor das seguradoras com produtos de saúde, Bárbara Faria, da Multicare, realçou a importância da aposta na medicina preventiva por parte das seguradoras face ao aumento dos custos, fruto do adiamento de tratamentos, falta de diagnóstico e pausa em cirurgias. Num outro ângulo, Bárbara Faria, a par dos demais participantes no Paibel Debate, destacou a importância de dispor de “dados com a melhor qualidade possível, de modo a garantir a privacidade, para permitir prestar um melhor serviço ao cliente final”.

Sobre este aspeto, Rui Costa, da General Electric Healthcare, acrescentou que a crise pandémica “veio realçar a necessidade da interoperabilidade e da partilha de dados para, por exemplo, criar circuitos COVID e não COVID nas áreas hospitalares”. Como referiu, “Estamos no advento dos dados. A respetiva harmonização e standardização permitirão a integração de algoritmos que pode agilizar a decisão dos atores clínicos. As decisões continuam a ser clínicas, mas essa tomada de decisão será suportada por mais dados”. Por isso, como sublinhou “o empurrão para a transição digital permitiu também desenvolver ferramentas e funcionalidades para apoiar o diagnóstico por parte dos técnicos do setor”, concluiu Rui Costa.

Em jeito de conclusão, Bárbara Faria admitiu que “é inevitável que existam mais pandemias, mas todos temos de estar mais preparados para o que aí vem”.