“Garantidamente iremos enfrentar uma nova pandemia”: interoperabilidade de dados será fulcral

No âmbito do Seminário da Saúde promovido pela GS1 Portugal, o Presidente do Conselho Diretivo do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), Fernando Almeida, realçou o trabalho que tem vindo a ser feito no setor da saúde em Portugal, desde o início da pandemia, e que tem evidenciado a importância da partilha de dados e da interoperabilidade entre todos os interlocutores: investigadores, médicos, académicos.

Fernando Almeida, que se pronunciava na sessão de abertura desta iniciativa da GS1 Portugal, destacou que, mais do que as várias vagas da pandemia, o mundo tem vindo a enfrentar outras “quatro ondas”. “Além da pandemia, propriamente dita, uma segunda onda que enfrentamos são as outras patologias que deixaram de ser tratadas que têm tido um grande impacto na sociedade com cirurgias adiadas e deslocação de recursos médicos para outros áreas primordiais. Já para não falar das doenças e problemas de saúde mental que são cada vez mais uma realidade urgente”, explicou. O Presidente do INSA falou ainda da “onda económica e social, com impacto negativo no desenvolvimento e competitividade, gerada, sobretudo, pelas alterações no emprego e no modo de trabalho, e que deram origem a um país economicamente mais fragilizado”. Sobre a “quarta onda”, Fernando Almeida mostrou-se preocupado com a “onda da informação, ou desinformação”, alertando para a urgência do papel de instituições como a GS1 Portugal em “trabalhar os dados de forma clara e transparente”.

Para Fernando Almeida, a pandemia atual é “um desafio que estamos a vencer”, tendo como referência alguns indicadores que citou da evolução do setor da saúde em Portugal no último ano e meio: 14 milhões de testes efetuados, 900 laboratórios ativos entre públicos, privados e académicos, 1000 camas de Unidades de Cuidados Intensivos.

O Presidente do Conselho Diretivo do INSA deixou ainda um alerta: “não sabemos quando, mas garantidamente iremos enfrentar uma nova pandemia nos próximos anos e é importante retermos o conhecimento das lições aprendidas ao longo do último ano e meio”. “Partilhar dados e aprender a trabalhar na interoperabilidade dos mesmos poderá garantir uma previsão do que está para vir com o máximo de precisão possível. Exemplo disso, é a gestão do processo de descoberta das novas variantes do vírus, para o qual é absolutamente necessária a partilha de dados”, concluiu o Presidente do INSA.