International Patient Summary permite partilha internacional de dados de doentes

O Global Forum da GS1 e o Healthcare User Group da GS1 Portugal, realizados de 21-24 de fevereiro e a 22 de março, em suporte digital, anunciaram desenvolvimentos recentes da iniciativa International Patient Summary (IPS), projeto piloto que disponibiliza informação resumida dos dados clínicos do paciente aos profissionais de saúde e dados essenciais à prestação de cuidados no caso de situação médica inesperada, como em caso de acidente.

Conforme se anunciou, a prova de conceito deste projeto foi testada no País de Gales e permitiu garantir a disponibilização de um conjunto padronizado de dados clínicos básicos que inclui a informação mais relevante relacionada com a saúde de um paciente, assegurando cuidados de saúde protegidos a nível global.

“O objetivo é conseguir um conjunto standardizado de dados clínicos básicos que permitem transmitir ou partilhar, entre os vários países e respetivos centros hospitalares, informações que, caso o paciente dê entrada nesse centro hospitalar – ou necessite de assistência noutro país -, deem acesso aos dados clínicos mais básicos desse paciente e permitam saber, por exemplo, se tem alergias reportadas, o historial médico e procedimentos anteriores”, começou por explicar Madalena Centeno, Gestora de Saúde e Standards da GS1 Portugal no HUG da GS1 Portugal, numa exposição sobre o projeto.

Outro fator inovador do IPS incide sobre o nível de colaboração exigido para que o conceito funcione. Nesse sentido, a GS1, entidade global de standards de que a GS1 Portugal é organização-membro, aliou-se a outras entidades de standards (CEN, ISO e HL7, entre outras) para criar uma linguagem global, capaz de ser partilhada além-fronteiras. “Como estamos a falar de diferentes países e de diferentes centros hospitalares, a estruturação de informação é diferente. Por isso, é necessário encontrar um conjunto de códigos que permita que a informação seja lida e interpretada por todos os que utilizem este sistema”, acrescentou a representante da GS1 Portugal, antevendo que, após maior investigação e desenvolvimento deste conceito, espera-se que o IPS consiga fornecer informações ainda mais detalhadas como “as imunizações já feitas, como as das vacinas de imunização à COVID-19” e, ainda, “dados como os resultados de análises clínicas, imagiologia e a utilização de dispositivos médicos e medicamentos”. No futuro, as entidades envolvidas estimam que o IPS permitirá, “por exemplo, que o médico tenha acesso a informação sobre o modelo do pacemaker que o paciente tem”, rematou Madalena Centeno.

O IPS foi reconhecido pelo G7 na reunião de junho de 2021, que teve lugar em Oxford. Ainda que sem atribuir ao projeto um apoio formal, os membros da Organização Mundial de Saúde (Digital Health and Innovation) participaram em alguns dos trabalhos de suporte a esta iniciativa.