Medicamentos falsificados: rastreabilidade trava negócios ilícitos na dark web

Na sua intervenção no Seminário de Saúde promovido pela GS1 Portugal, no passado dia 15 de julho, Guy Villax, Administrador-Delegado da Hovione e Presidente do Health Cluster Portugal, alertou para a ameaça global em que consiste a falsificação de medicamentos e dispositivos médicos, com especial destaque para a falsificação de vacinas para imunização contra a COVID-19.

Partilhando evidências iniciais deste fenómeno de falsificação de medicamentos ou produtos de aplicação terapêutica, Guy Villax começou por explicar que esta atividade ilícita ganhou especial relevo no inverno de 2008, quando uma falsificação massiva de heparina causou mais de 150 mortes nos E.U.A. À data, como referiu, foi constituída uma organização, o Rx-360, que consubstancia um grupo internacional de empresas cujo objetivo é lutar contra a falsificação de medicamentos. Segundo Guy Villax, membro da administração desta organização, foi sobretudo a partir daquela data que começou a ser dada a devida importância aos sistemas de standards desenvolvidos para a rastreabilidade de medicamentos e dispositivos médicos, de que é exemplo o sistema de standards GS1, globalmente reconhecido.

“Este é um tema pouco falado, tanto pelos médicos e farmacêuticos, como pelos media, mas a verdade é que 1 em cada 10 medicamentos é falsificado”, alertou Guy Villax. O Administrador da Hovione realçou ainda o número crescente de denúncias de medicamentos falsificados com “94 incidentes reportados em 32 países diferentes no que diz respeito às vacinas COVID-19”. Guy Villax deu o exemplo de um caso na Índia onde chegaram a ser montados dois centros de vacinação totalmente falsos que resultaram na vacinação de cerca de 2 mil pessoas. “Mas no caso específico da pandemia, não falamos apenas da contrafação de vacinas, mas também dos certificados digitais COVID-19”, acrescentou.

O Administrador da Hovione acredita que a rastreabilidade assume, por isso, um papel fundamental para colmatar o gap entre o fornecedor e os restantes elos da cadeia de abastecimento que a dark web está a aproveitar para a venda de medicamentos e dispositivos médicos falsificados.