O desporto, o consumo e a cerveja

Os grandes eventos desportivos são um dos fatores que influenciam o consumo de cerveja. Para as gerações mais novas as plataformas digitais são tão importantes como a televisão no consumo de desporto.

Fonte: Nielsen

A cerveja gera mais de mil milhões de euros, continuando a demonstrar ser uma das categorias mais dinâmicas, atingindo, no último ano móvel, um crescimento de 4% em valor nos canais de Retalho. Também no canal Horeca (Restaurantes, Snacks e Cafés, Bares, Hotéis e Fast Food) é a categoria mais relevante com 809 milhões de euros em vendas totais e um crescimento de 4% no último ano móvel.

Tiago Aranha, Client Development Manager da Nielsen, refere que “os grandes eventos desportivos são um dos fatores que influenciam o consumo de cerveja. Os dados Nielsen demonstram que estes grandes eventos impactam o consumo da categoria, que estará também associado a um maior dinamismo por parte das marcas e retalhistas. A aposta nestes grandes eventos passa por uma estratégia de aproximação aos consumidores a médio e longo prazo e não apenas a pensar no consumo imediato. Não podemos também deixar de referir que existem muitos outros fatores que influenciam o consumo de Cerveja, entre os quais as condições climatéricas. Mais de 40% do volume de cerveja é consumido nos meses de junho a setembro, o que significa que o facto de os grandes eventos desportivos serem na sua maioria realizados no verão é benéfico para o consumo de cerveja.”

O que mudou no consumo de desporto?

Ao analisar o comportamento das diferentes gerações, a Nielsen Sports verifica que as gerações mais novas alteraram os seus hábitos de consumo de desporto.

Cláudio Batista, Client Development Senior da Nielsen Portugal, refere que “os Nativos Digitais (16 aos 22 anos) e os Millenials (23 aos 36 anos) consomem desporto essencialmente através das redes sociais ao contrário das restantes gerações que consomem desporto essencialmente através da televisão. Outro dos comportamentos característicos destas gerações é o facto de recorrerem a um segundo ecrã (66% para os nativos digitais e 57% para os Millenials). 2 em cada 3 nativos digitais estão a aceder a outras plataformas enquanto consomem desporto. Esta nova tendência faz com que seja mais complexo medir o retorno para as marcas, na medida em que é difícil avaliar o tempo que os consumidores dedicam 100% a determinada marca.”

O impacto das redes sociais no consumo de desporto

Se as gerações mais novas recorrem maioritariamente às plataformas digitais, o Whatsapp foi a plataforma mais escolhida como segundo ecrã, quando analisada a liga espanhola. Em Portugal, analisando os últimos 3 meses, verificou-se que os 3 principais clubes de futebol em Portugal geraram mais de 9 milhões de interações no Facebook, tendo os vídeos alcançado 71 milhões de visualizações. A mesma força para plataformas como o Twitter, com mais de 4 milhões de interações e um crescimento de 3% no que se refere ao número de seguidores. O Instagram cresceu 6% e foi responsável por mais de 25 milhões de interações.

“Este crescimento deve-se ao facto das redes sociais procurarem inovar e estabelecer parcerias que acompanhem as preferências das novas gerações, nomeadamente a aquisição de direitos exclusivos de grandes eventos desportivos, de forma a marcar a diferença e angariar novos seguidores e dar dinâmica às suas plataformas. No último trimestre de 2017, o Twitter lançou mais de 1000 eventos ao vivo, que representaram 60% do total da audiência. O mesmo está a acontecer com os patrocinadores que estão a ficar cada vez mais interativos, relacionais e emocionais, procurando assim conquistar as novas gerações”, analisa Cláudio Batista.