Sustentabilidade: Futuro será circular, colaborativo e partilhado

First Rule, Nespresso, Pantoja – Grupo Logístico e Pingo Doce premiados na segunda edição dos prémios Lean & Green, da GS1 Portugal

  • Pingo Doce é a primeira empresa com 3 estrelas Lean & Green, em Portugal;
  • Nespresso e First Rule recebem primeira estrela do programa Lean & Green, pela redução em 20% das emissões de carbono
  • Pantoja – Grupo Logístico premiada pelo plano de ação para reduzir emissões

A definição de metas europeias para alcançar a neutralidade carbónica trouxe uma mudança de mentalidades e a adoção de novas práticas no setor empresarial, que agora trabalha para um futuro assente na circularidade, colaboração e partilha.

Aos dias de hoje, a Nespresso já produz cápsulas de café com 80% de alumínio reciclado, ao mesmo tempo que transforma as borras do café em embalagens de arroz que entrega ao Banco Alimentar. A Jerónimo Martins, por seu lado, já eliminou mais de 27 mil toneladas de plástico e cartão só com o eco-design das suas embalagens. A First Rule, que desenvolve soluções de energia renovável, reduziu as deslocações associadas aos seus serviços em quase 30% e melhorou a relação e satisfação dos clientes. Já a Pantoja – Grupo Logístico investiu em tecnologia para monitorizar o impacto de cada viagem e abriu uma plataforma em Coimbra que permitiu reduzir drasticamente os quilómetros percorridos por cada rota, tendo também em curso um projeto de emissões zero na zona do Porto

Estes foram alguns dos principais avanços revelados pelos representantes das empresas no evento sobre “Descarbonização, Sustentabilidade e Agenda da Indústria”, que decorreu na passada quinta-feira, 17, e que integrou a segunda edição da entrega de prémios da iniciativa europeia Lean & Green, representada no nosso país pela GS1 Portugal, bem como um Painel Debate sobre “Descarbonização das Cadeias de Valor e Economia Circular” em que participaram representantes das empresas premiadas.

Ao longo do Painel Debate, revelou-se unânime a certeza de que a sustentabilidade deixou de ser conceito para ser fator indispensável ao sucesso das empresas, uma vez que “o consumidor de hoje está pronto para deixar de comprar se vir que a empresa não aposta na sustentabilidade”, notou Sofia Tavares, Costumer Care & Services Manager da Nestlé Nespresso Portugal.

Tal como a Nespresso, também a First Rule apostou num novo layout e distribuição dos seus armazéns, com vista a uma maior eficácia do negócio. “O desafio foi diminuir a distância entre deslocações para diminuir o tempo de entrega. Conseguimos reduzir a distância das nossas viagens em 30% e, hoje, a nossa entrega mais distante está a 87KM. Ao diminuirmos a distância, diminuímos o tempo de entrega e aumentámos o nível de satisfação do cliente”, explicou Jorge Lourenço, CEO da First Rule.

Contudo, o próximo passo na descarbonização da cadeia de valor não poderá ser dado sozinho, acreditam os oradores. Para o futuro da sustentabilidade empresarial, será necessário apostar nas colaborações entre as empresas do setor.

Ciente disso, o Pingo Doce, que recebeu a terceira estrela do programa Lean & Green, já tem ‘oleado’ o sistema que limitou severamente a quantidade de “camiões vazios” através de um projeto de backhauling que já terá evitado a emissão de quase 70 mil toneladas de CO2 só na última década. “As parcerias são importantes. Se olharmos só para nós, vamos acabar num buraco. É vital desenvolver metodologias como estas com aqueles que estão connosco. É preciso ter parceiros em vez de . fornecedores”, sublinhou Vítor Ferreira de Almeida, responsável pela área de Supply Chain & Logistics do Pingo Doce.

Exemplo do peso das parceiras vem da Pantoja – Grupo Logístico e IKEA, a quem o grupo logístico presta serviços de distribuição e montagem de equipamentos. O grupo logístico trabalha com largos volumes e, inevitavelmente, com veículos de grande porte e poluentes. “Precisamos de usar viaturas grandes porque a mercadoria, o mobiliário, é grande e pesada, mas tivemos a ajuda da IKEA para investir na redução dos nossos custos de entrega”, notou Bernd Huneke, Diretor de Qualidade e Formação da Pantoja – Grupo Logístico, sublinhando que, aos dias de hoje, “as colaborações entre parceiros são vitais para o sucesso do negócio de ambos”.

Os representantes destas empresas encerraram o debate com a renovação dos votos das suas empresas na área da sustentabilidade, realçando que esse investimento trará resultados ao nível da reputação, redução de riscos, criação de oportunidades e, sobretudo, criação de valor para as marcas. No entanto, e de forma unânime, deixam o alerta: “Todos nós precisamos de mudanças ao nível político que impacte empresas e consumidores, para que se faça um melhor trabalho nesta área, mas de uma forma global e não apenas local”.

“Só as empresas com lucros sustentáveis serão verdadeiramente prósperas”

 O Painel Debate foi precedido de apresentações de enquadramento. Na apresentação da responsabilidade da Presidente do GRACE, Margarida Couto, subordinada ao tema “O Pacto Ecológico Europeu: eixos da sustentabilidade e dos negócios
responsáveis”
, foi analisado em detalhe o impacto que as metas europeias, alertando para o facto de “todos estarem vinculados” ao objetivo de atingir a neutralidade carbónica em 2050. “É um mito e é errado pensar que este pacote é essencialmente dirigido às indústrias que trabalham na área da energia ou empresas energéticas. Este pacote vai impactar toda a indústria”, reforçou a responsável.

Margarida Couto reforçou também que a sustentabilidade já deixou de ser opção e que, hoje, é um tema que exerce, pelo menos, quatro forças sobre as empresas e a sua organização. “Os colaboradores já não querem trabalhar numa empresa que não aposta na sustentabilidade ou não se preocupa com o planeta. Os consumidores estão cada vez mais atentos aos valores assumidos e praticados pelas empresas. Os financiadores já são cada vez menos recetivos a ajudar empresas que não pensem no longo prazo e os grandes compradores já exercem grande pressão sobre as empresas que estão na sua cadeia de fornecimento”.

“Os lucros, hoje, já não são todos iguais e só as empresas que obtenham lucros de forma sustentável é que se poderão afirmar como verdadeiramente prósperas”, rematou a Presidente do GRACE.

Impacto do programa Lean & Green em Portugal

O evento contou ainda com um olhar cronológico e qualitativo da representação que a GS1 Portugal tem feito, no nosso país, da iniciativa europeia Lean & Green. Gonçalo Dias, coordenador do projeto em Portugal, salientou que, aos dias de hoje, são mais de 20 as empresas que aderiram à iniciativa, “desde as fabricantes às tecnológicas, passando pelas de energias renováveis, pelo setor alimentar e não alimentar”.

Perante uma rede tão diversificada, o coordenador do projeto lembrou que, em 2021, foi lançado não só o Comité Lean & Green em Portugal, com o intuito de criar mais sinergias entre as empresas; mas também o Fórum Lean & Green, através do qual a GS1 Portugal pode ouvir as empresas aderentes e perceber de que forma as pode ajudar – e que caminho deve ser feito – para que a economia seja “mais verde”.

 “Standards da GS1 estão prontos para responder às grandes necessidades globais”

 O evento da GS1 Portugal contou ainda com a presença especial de Marianne Timmons, Presidente Global da GS1 para Community Engagement. Numa apresentação dinâmica em que participou também Francesca Poggiali, Responsável de Public Policy, também da GS1, a nível global, Marianne Timmons recordou que “há 50 anos, a indústria do retalho precisou de um único código de barras que pudesse ser lido em qualquer parte do mundo. Os membros da GS1 uniram-se e encontraram a solução. Há 15 anos, o setor da saúde precisou de uma forma de identificar dispositivos médicos a nível global e, novamente, a GS1 encontrou a solução. Agora, a indústria enfrenta um novo conjunto de desafios relacionados com a circularidade. Desafios esses que vão necessitar de um alinhamento local, uma linguagem comum e uma forte liderança. Como aconteceu antes, vamos novamente provar que os standards da GS1 estão prontos para responder às grandes necessidades globais”.

Em jeito de conclusão, Marianne Timmons lembrou que “o que está em jogo não é novo, o que é novidade é a urgência e as possíveis consequências que podem advir da nossa inação perante os desafios que temos pela frente”.