The Leeds Teaching Hospitals reforçam eficiência com uma farmácia por piso e App assentes em standards

A GS1 Healthcare, divisão de saúde da GS1 Global, promoveu a 9 de setembro um webinar subordinado ao tema How GS1 standards impact patient safety, com a partilha das boas práticas geradoras de eficiência implementadas nos hospitais universitários de Leeds (Leeds Teaching Hospitals – NHS Trust).

Mark Songhurst, Project Manager da Scan4Safety e coordenador do programa de adoção e implementação dos standards naquelas unidades hospitalares universitárias de Leeds destacou que o programa beneficiou muito de uma cultura enraizada naquelas unidades hospitalares designada por “The Leeds Way”, que aposta num método de melhoria contínua (Leeds Improvement Method), centrado fundamentalmente no doente. Esta abordagem prevê que a intervenção de todas as equipas ou indivíduos participantes se paute por quatro princípios: responsabilidade, colaboração, justiça e capacidade.

Conforme sublinhou o responsável do projeto, os três standards GS1 utilizados no programa foram o GSRN – Global Service Relationship Number, que identifica o doente; o GLN – Global Location Number, que identifica o local; e o GTIN – Global Trade Item Number, que identifica o produto. Dos três, como destacou, o mais importante é o standard de identificação do doente – GSRN – que é individualmente atribuído e codificado numa pulseira de identificação. A atribuição deste standard e da respetiva pulseira ocorre no processo de admissão, com carregamento e verificação dos dados do doente. Após esta verificação, todas as ações relacionadas com o doente admitido podem ser registadas no sistema com base da captura do GSRN.

Quanto à identificação dos locais, com base em GLN, esta decorre da atribuição desse standard a todos os quartos dos edifícios, a todas as portas acessíveis e a todas as camas e salas de tratamento. Esta informação está disponível numa aplicação que permite a qualquer profissional de saúde em contexto hospitalar saber exatamente onde se encontra determinado doente.

Para agilizar as eficiências decorrentes deste programa, o NHS utiliza um catálogo de produtos eletrónico, disponibilizado centralmente a todas as unidades hospitalares: um dos grandes problemas dos catálogos hospitalares, na inexistência desta centralização, é a identificação de vários medicamentos, fornecidos por diferentes fabricantes, com o mesmo código interno na unidade hospitalar, o que pode, por exemplo, dar origem a erros nas encomendas. Um dos principais benefícios de encomendas eletrónicas assentes em catálogos centralizados é a possibilidade de transferência de informação para o fornecedor com base no GTIN do artigo, reduzindo de modo muito significativo a probabilidade de erro na encomenda de produtos ou na indicação da quantidade a encomendar.

Como destacou Mark Songhurst, as unidades hospitalares universitárias participantes no programa dispõem também de uma farmácia por piso, desenvolvida especificamente para o serviço que abastece. Estas farmácias são desenvolvidas pela equipa médica em colaboração com a equipa de compras, permitindo identificar exatamente que medicamentos são necessários e em que quantidades, de modo a garantir uma eficiente gestão de stocks. A composição de cada farmácia é informatizada. A gestão de stocks e requisição de medicamentos é feita informaticamente, estando ligada ao armazém central do hospital.

A estas farmácias por piso acresce a disponibilização aos profissionais de saúde de uma aplicação, a “Mobile PPM +”, que permite aceder e emitir requisições eletrónicas de material ou medicamentos, para além de disponibilizar informação individual de cada doente apenas com um scan para captura de dados. Esta aplicação permite ainda consolidar informação, assente na recolha de dados relativos a vários doentes hospitalizados – fundamental na gestão de surtos e pandemias – e dos vários medicamentos em circulação no hospital – essencial à gestão e previsão eficientes de stocks, permitindo calcular consumos e estimar custos, mas também, se necessário, proceder à rápida recolha de medicamentos por validade expirada, por exemplo.

Segundo Mark Songhurst, um dos desafios a merecer maior atenção por parte deste programa tem a ver com os dispositivos médicos implantáveis e posteriormente retirados do paciente, de acordo com o protocolo terapêutico. A necessidade de garantia de atualização dos registos e rastreabilidade quando um implante ou dispositivo médico é retirado de um paciente, não existindo um standard para capturar ou identificar, cria graves falhas de rastreabilidade. Como sublinhou o coordenador do programa, a informação fica do lado do médico, com registos eletrónicos, mas a monitorização e rastreabilidade, de momento, faz-se ainda com recurso à identificação do doente em causa. Este continua a ser, como evidenciou, um ponto muito relevante de trabalho e uma prioridade da Scan4Safety para este projeto.

Mark Songhurst pronunciava-se no webinar How GS1 standards impact patient safety promovido pela GS1 Healthcare no âmbito de um ciclo de webinars, com sessões periódicas, que visa abordar temas e casos práticos de adoção de standards em unidades hospitalares ou serviços de saúde, a nível global.